23 de julho de 2015

SER AÇORIANO

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Nascidos num paraíso repleto de purpurinas verdes. Rodeados por um horizonte azul. Horizonte este que nos arrepia pela noite e nos inspira pela manhã. Afinal não é para todos ser-se açoriano. Não é para todos sentir a brisa fria pela manhã, o cheiro a salgado ou o nevoeiro baixo que nos cobre ao fim da tarde em dias de inverno. 

Os outros não admitem, mas nós sabemos bem que somos diferentes. Pelo menos eu sinto-me diferente todos os dias, especial. Provavelmente este sentimento deve-se ao facto de permanecer longe de casa. Longe da minha natureza, da minha essência. 

É uma grande desilusão saber que eu, assim como outros estudantes açorianos, não vamos poder regressar. É uma pena termo-nos deixado cair, termos deixado o nosso comércio partir.

Lembro-me perfeitamente da minha velha infância que desperta em mim uma enorme nostalgia. Os passeios eram feitos de calçada antiga, gasta, mas que tinha imensas histórias gravadas. Foi por estes calçadas que brinquei, no fundo que passei os melhores momentos da minha vida. Ainda me recordo do cheiro daquelas ruas, cheias de gente ao longo da semana e as procissões nos domingos. Eu era realmente feliz. 

Agora, cada vez que regresso vejo uma enorme degradação, não por parecer tudo velho, mas por uma destruição fruto de uma extrema ambição que, visivelmente, só se tornou numa obra parada. As ruas já não são tão movimentadas, são mais as lojas fechadas do que os sorrisos nas ruas. Afinal o que se passou connosco? Será que ninguém entende que estão a condicionar o futuro das gerações seguintes? Ao menos já pararam para pensar como nos sentimos? É que eu sinto-me uma estrangeira no meu próprio país e, quando chegam aqueles dias tão desejados em que vou regressar, ao chegar, a desilusão é ainda maior. Eu queria a minha doce terra de volta, queria aquele cheiro a natal, a verão e, sobretudo, a imensa alegria. 

Certamente estão a perder grandes talentos, grandes profissionais e grandes pessoas. Ninguém vos mandou obrigar-nos a ir embora. Acham que é fácil termos sempre de partir e manter a cabeça erguida? Eu já me fartei de tanta despedida. Já pensaram, ao menos, como nos sentimos aos domingos? Eu pelo menos tenho saudades dos almoços em família.

Podia expor inúmeras questões para vos tentar sensibilizar, mas não o vou fazer. Não o vou fazer porque sempre ouvi dizer que para bom entendedor meia palavra basta. Apenas pretendo defender o que é nosso, o que é meu. No fundo, tudo isso não passam de meros desabafos de quem foi obrigado a ir embora e que preza a sua verdadeira essência, porque afinal ser açoriano é ser grande num sítio pequeno. 

Agora resta-me escrever-vos, transmitir experiências e sentimentos, pode ser que faça diferença a alguns. Mais do que isso não posso fazer ou exercer, visto que, ao longe, vejo um paraíso a afundar-se cada vez mais. 

Texto: Beatriz Moreira da Silva, de 21 anos, estudante da Escola Superior de Educação de Castelo Branco

Fonte aqui.

4 comentários:

  1. lindas fotografias s2

    oi-jessica.blogspot.com

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  2. As fotos estão tão incríveis, adoro! A segunda está simplesmente perfeita!

    http://ummarderecordacoes.blogs.sapo.pt/

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  3. Texto tão sentido e imagens lindas!
    xoxo
    BLOG // FB PAGE

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  4. MAs que belo texto... parabéns!

    http://strawberryleopard.blogspot.pt/

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