3 de fevereiro de 2013

PERSONAL | princess moment #1


"Levanta a cabeça princesa, se não a coroa cai."

  Fecho os olhos para fugir ao mundo real. Abro-os novamente e estou no meu mundo. Sentada numa cama feita a mão pelo melhor carpinteiro do reino, nos cobertores e mantos feitos com peles de animais e cozidos a mão. Visto um vestido também feito a mão, com um tecido azul bebé do oriente. Tenho o cabelo longo e solto. Levanto-me e dirijo-me a janela. O meu quarto se situa num dos pontos mais altos do castelo, numa das maiores torres. Daqui vê-se todo o reino do meu pai, o Rei, que está com a minha mãe, a Rainha, no outro reino.  O Rei e a Rainha foram negociar com o outro Rei a união dos dois reinos, que se daria após o casamento entre mim e o príncipe seu filho. Isso da-se devido ao nosso rei não ter um filho primogénito.
  Olho para a paisagem, maravilhosa e mágica, observo tudo com atenção... Desde das altas montanhas até a nossa aldeia.
  Dirijo-me a grande porta de madeira e abro-a, espreito e começo a caminhar até aos degraus. Desço-os rapidamente e quando chego a porta sou impedida pelo um guarda.
  - Vossa majestade tem que permanecer no castelo. - ordenou.
  - Quem sois vós para me dar ordens? - disse firmemente.
  O guarda desvio-se, permitindo a minha passagem.
  - Minha senhora! - chamou-me uma voz, uma voz feminina e delicada. - Deixe-me acompanhar vos até a aldeia. - Era a filha da minha ama, a minha melhor amiga a minha conselheira pessoal. Não fazia nada sem ela.
  - Claro. Sois sempre bem vinda a vir comigo a qualquer lugar. - disse enquanto vestia a minha capa punha o capucho na minha cabeça. Tudo seria muito mais simples se não chama-se a atenção.
  Saímos ambas do castelo e dirigi-mo-nos a nascente. Ambas sabíamos que era para lá que eu quereria ir. Era ai que encontrava-me secretamente com o filho do sapateiro, um rapaz de cabelos castanhos, alto, que roubava mais um bocado do meu coração em cada dia que passava.

  Saí-mos da aldeia rapidamente e entramos no mato e, passado mais algum tempo encontrava-o novamente. Andei o mais rápido possível, cria chegar lá e ver o seu rosto, queria ouvir a sua voz. Chegamos finalmente, ele situava-se sentado firmemente numa rocha ao pé da nascente à minha espera.
  - Eu esperarei por vós aqui. - disse-me sorrindo.
  - Obrigado. Muito obrigado. - agradeci.
  Dirigi-me lentamente ao seu encontro. O meu coração palpitava com tanta força e emoção que não me deixava ir mais depressa. Podia apreciar o seu rosto belo daquela distância, que se encontrava cada vez mais perto. Ele notou a minha presença e sorrio. Retribui o sorriso. E quando me encontrava ao seu lado pronta para falar-lhe, voltei ao cruel mundo real. O mundo em que as coisas são muito mais difíceis do que num mundo encantado criado por mim.

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